quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Você

Você, pequena em meus braços
Gigante em meu peito, abarrotado de
Você.
Você, onde me perco de enlaços
Labirinto de desejos, encontrado em
Você.
Você, entre estrelas, lua e espaços
Sonho ao meio dia, bem acordado em
Você.
Você, entre lembranças e lapsos
Tempo esquecido, apaixonado por
Você.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Desabafo

Desabafo

Em mãos, quase, o anseio espreito
O que tarda chegar, límpido, à vista
Do que vem, sem hora, ao peito
Transborda, à boca, a conquista

As mãos não acolhem o grito
Que o corpóreo caminho percorre
Desanda, o urro, logro e aflito
Desata em viver, já não morre

Provoca o insípido, e tenro, espírito
O verbo de além do alcançar
Importa em ser mais que empírico
E em sua imprópria razão realizar

As palavras não combinam por si
Prepostas almas lhes concedam tear
Do real de lá ao simbólico daqui
Constroem e tentam, amiúde, significar

Não saem, porém, em fácil praguejo
Que se alcance no entojo disfarçado
Dilatam-se em verborrágico latejo
nas verdades do espelho abafado.

Não ouve a fala, senão o louco
Acordando do letárgico torpor
Que teima consigo falar, ainda rouco
Corajoso de ouvir-se sem favor.

sábado, 25 de julho de 2009

Violino das Ilusões


Como quem sonha atrasado, mas o faz

Avante, a lembrar melodias, lá de trás

Como quem semeia, admirado, a canção

Do caminho outrora esquecido da ilusão

E das sombras alcança o sol, ofuscante

Recomeça, toma-se e revive, vai adiante...


...


E assim, invade o traslado encortinado

À vontade no palco d’alma empoeirado

Em posse do seu próprio espetáculo cênico

De tal monta o deguste do eu, antes arsênico

Que paira, indizível, sob mil luzes sutis

Ao límpido descortino dos espíritos febris.



...



Eis que o tocador de sentimentos mil

Desperto do inerte torpor, alheio e senil

Dedilha emoções como quem as reza

Inusitada cartilha de orações, e despreza

O Inútil significado das doutrinas vãs

E põe sua fé na vermelha cor das maçãs


...


E ao silencioso violino das ilusões

Aquece, amiúde, invisíveis corações

E do calor, surgem surdas-mudas palmas

Do espetáculo não vivido pelas almas

Em bancos vazios de tantas lembranças

De platéias lotadas de poucas esperanças.